Metas x Trabalho colaborativo

Por: Fernando Angelieri

Saiba como medir o time de forma que ele trabalhe para a empresa e não apenas para o seu setor.

02-10-2015
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Na maioria das empresas, as metas possuem um caráter mais individualista e raramente premiam o trabalho do time como um todo. Isso pode tornar metas e trabalho em equipe antagônicos.

O tema me veio à cabeça enquanto eu estava jogando a série de jogos eletrônicos de estratégia de guerra Battefield. O nosso time tinha alguns jogadores excepcionais, melhores até que o time adversário, mas, mesmo assim, estávamos perdendo.

 

Neste jogo, assim como nas empresas, o diferencial é o trabalho coletivo e não o esforço dos indivíduos. O problema não é a pessoa ser excepcional, mas sim ela focar exclusivamente em suas metas individuais. Cada um era medido pela quantidade de inimigos que eliminava e também quando ajudava o time, só que alguns estavam jogando apenas pela primeira métrica. No entanto, a partida era vencida pelo time com maior pontuação.

Fazendo uma analogia desse cenário com uma empresa, esse jogador é aquele vendedor que vende um produto que ainda não foi produzido ao invés de oferecer o que está no estoque. É a área de compras que atinge a meta de desconto mesmo sabendo que o fornecedor não possui a qualidade necessária para entregar o serviço.

Todas estas ações são feitas por dois motivadores principais: o ego, sobre o qual não temos muito como interferir, e as métricas da empresa, que empurram muitas das ações dos colaboradores a eventos que possam trazer impactos negativos na companhia.

Para evitar isso, as métricas individuais devem ser compostas por indicadores que reforçam a contrapartida, seja para o time, seja para os outros departamentos.

Confira alguns exemplos:

1. Vendas – Itens vendidos
Contrapartidas
Volume de descontos concedidos: deve-se controlar não só o percentual de descontos, mas também com qual frequência é aplicado.

Itens customizados: o vendedor consegue vender o que a produção executa ou é necessário que o item tenha 'a cara' do cliente, custando mais para a operação?

Mix de produtos: garantindo a venda de outros itens e não apenas o carro-chefe, com a venda garantida.

2. Operação – Itens produzidos
Contrapartidas
Horas extras realizadas: o volume de produção não pode ser feito com o uso adicional de horas trabalhadas.

Número de funcionários: o indicador deve ser proporcional ao número de funcionários trabalhando.

Limite de máquinas respeitado: a velocidade de produção não pode exceder os indicadores dos fabricantes sob a pena de aumento de custo de manutenção preventiva e corretiva.

3. Operação – Rentabilidade
Contrapartidas

Férias: os períodos de férias devem ser respeitados e não podem ser transferidos para outros períodos.

Manutenções preventivas: devem seguir as recomendações dos fabricantes.

Qualidade mantida: não tiver especificações claras sobre as medidas do produto final, uma métrica de rentabilidade poderá ocasionar problemas sérios junto aos clientes.

4. Marketing – Ampliação de mercado
Contrapartidas

Rentabilidade: a métrica não pode ser apenas o tamanho do mercado conquistado e sim garantir liquidez.

Mix de produtos: deve-se pensar na empresa como um todo e não apenas um único item, salvo quando necessário.

Canibalização: não se pode lançar um produto que amplie o mercado mas concorra com outros produtos da empresa.


Fernando Angelieri é formado em Processamento de Dados pela FASP, com MBA em Gestão Estratégica de TI pela FIAP e em Administração pela FVG. Atuou em grandes empresas como Accenture e Microsoft e atualmente é um dos fundadores da TradingWorks, ferramenta na nuvem com foco na gestão de timesheet, atividades e projetos.


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