Como a fusão de empresas movimenta a economia brasileira?

Uma única operação de fusão movimentou mais de R$ 47,68 milhões, acima da metade dos valores envolvidos em operações de fusões e aquisições no primeiro semestre de 2018.

28-11-2018
Fusão de empresas


O mercado de fusões e aquisições registrou um aumento de 54% no primeiro semestre de 2018, segundo dados da
Anbima. Tradicionalmente, o número de fusões é menor. No período, ocorreu apenas uma operação, mas que movimentou mais da metade de todo o valor envolvido nas negociações do tipo.

No total, fusões e aquisições movimentaram R$ 84 bilhões. Mas 57% desse valor vem de uma única transação: a fusão entre as empresas de celulose Fibria e Suzano, com valor anunciado de mais de R$ 47,68 bilhões. A junção dará origem à maior companhia de celulose do mundo.

É o tipo de negócio que impacta a economia como um todo. Neste artigo, vamos explicar o efeito econômico de uma fusão!

Como funciona a fusão de empresas?

O processo de fusão de empresas é complexo, pois exige o alinhamento da estratégia de duas companhias distintas. Apesar de atuarem no mesmo ramo, cada uma tem a sua própria cultura organizacional e desenvolve relacionamento com diferentes stakeholders.

A estruturação da gestão, portanto, não é simples. Afinal, duas companhias estão se juntando para dar origem a uma terceira, que deverá corresponder à expectativa de empresários, investidores e consumidores.

É um processo demorado, que envolve as seguintes etapas:

  • análise de prioridades e oportunidades de negócio;

  • início da negociação com outra empresa;

  • realização de auditorias e avaliações;

  • elaboração de contratos e documentos;

  • pedido de autorizações estatais;

  • aprovação de sócios e acionistas;

  • registros e publicações oficiais.

O esforço é recompensado com uma série de vantagens. As principais são:

  • ganho de mercado;

  • escalabilidade;

  • otimização de processo;

  • redução de custo com a expansão;

  • diminuição de riscos empresariais.

Quais são os impactos econômicos da fusão de empresas?

A fusão gera efeitos mais evidentes no consumidor e no investidor. Entenda por quê!

Mercado consumidor

O consumidor é diretamente afetado pela fusão de empresas. Quando duas companhias se unem para dar origem a uma terceira ou quando uma companhia incorpora a operação de outra, é inevitável que a sua oferta de produto ou serviço seja alterada.

Há vantagens decorrentes dessa transação, mas também há risco. O consumidor pode ser beneficiado com a redução de preço, já que as empresas tendem a otimizar a operação — muitas vezes, levando todo o mercado a rever a prática de preço.

Esse é o efeito observado, por exemplo, a partir da fusão entre Antarctica e Brahma, em 1999. O negócio deu origem à maior cervejaria do mundo, a Ambev, que detém 75% do mercado nacional. A empresa conseguiu melhorar a qualidade do produto com eficiência, fazendo com que a concorrência do segmento também aprimorasse seu processo.

Por outro lado, a fusão de companhias pode surtir o efeito contrário. Quando o negócio gera uma companhia com participação excessiva no mercado consumidor, o risco é de que o preço suba.

É por isso que toda operação do tipo precisa ser aprovada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), que regula a negociação das empresas.

Investimentos

Uma fusão realizada entre companhias de capital aberto tem um efeito direto sobre o mercado acionário. Dependendo do tamanho da operação, ela pode elevar não só a negociação dos títulos dos envolvidos, mas também sustentar alta nos índices de referência da Bolsa (como o Ibovespa e indicadores setoriais).

Em 2018, esse efeito ficou bastante evidente com a fusão anunciada entre as companhias de celulose Fibria e Suzano. O negócio transformou as duas nas melhores empresas do Ibovespa.

Desde o anúncio da fusão até setembro de 2018, as cotações da Suzano subiram 157,42%; as da Fibria, 57,80%. São patamares muito superiores ao da média do mercado: no mesmo período, o Ibovespa evoluiu 2,24%.

As transações entre empresas podem se intensificar em 2019, segundo projeção de mercado. A expectativa é que o setor de fusões e aquisições registre alta de 10% em 2018 e de 15% no ano seguinte.

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